Ahla Beit
Ver temas

Quem paga o gerador, o elevador e a luz das áreas comuns no Líbano: proprietários ou inquilinos?

8 min de leitura9 fontesRevisado por Tatyana Alwan, advogada, em 18 de out. de 2026
Nesta página
  1. Dados principais
  2. O que cabe aos proprietários
  3. Como as taxas são definidas e cobradas
  4. O locador pode repassar as taxas ao inquilino?
  5. O elevador e as áreas comuns na conta do gerador
  6. Como acertar as taxas comuns antes de assinar
  7. Depende de
  8. Perguntas frequentes
  9. Fontes

Resposta curta

Quem paga são os proprietários, por meio da associação de proprietários do prédio. Pelo Decreto Legislativo 88/1983, manter em funcionamento elevadores, motores e instalações elétricas comuns é tarefa da associação[1,2], e os proprietários a financiam com os adiantamentos que ela pede. Nenhuma fonte que encontramos diz se o locador pode repassar esses custos ao inquilino; quem decide é o contrato.

Também perguntam: “Quem paga o gerador do prédio no Líbano, inquilino ou proprietário?” · “Inquilino paga o elevador no Líbano?” · “Quem paga a luz das áreas comuns em prédio libanês?” · “Taxa de condomínio no Líbano: inquilino ou locador?”

Dados principais

A lei
o Decreto Legislativo nº 88, de 16 de setembro de 1983[1,2]
Equipamentos comuns
Elevadores, motores, aquecimento, refrigeração e instalações elétricas comuns, operados e consertados pela associação de proprietários[1,2]
Partes comuns
as coberturas e os elevadores são partes comuns[1,2]
Parte de cada apartamento
quotas e votos em 1.000[1]
A associação existe por lei com
mais de três unidades privativas[1,2]
Como os proprietários pagam
Um adiantamento mensal ou trimestral[1,2] ao fundo da associação, mais adiantamentos especiais para obras que ela decidir
Se um proprietário não paga
A notificação se torna executável se a cota não for paga em até 10 dias após a notificação[1,2]
O que o inquilino paga
Nenhuma lei que encontramos define; depende do contrato

O que cabe aos proprietários

A copropriedade de um prédio dividido é regida por o Decreto Legislativo nº 88, de 16 de setembro de 1983[1,2]. Entre as partes comuns estão o terreno, a estrutura, as entradas, as escadas e os elevadores, além das instalações e de todo equipamento que presta um serviço comum. A associação de proprietários conserva, conserta e substitui esses equipamentos comuns e paga os insumos necessários para operá-los.

O decreto cita motores, elevadores, aquecimento e refrigeração, e instalações comuns de água, telefone e eletricidade[1,2]. Ele não menciona um gerador do prédio pelo nome. Contar o gerador entre os "motores" é, portanto, uma interpretação do texto, e não uma regra expressa. Alguns prédios recebem energia de um operador privado de gerador em vez de ter um próprio, e nenhuma fonte que lemos diz como se divide o fornecimento das áreas comuns vindo desse operador. Pergunte ao presidente da associação como seu prédio faz.

Como as taxas são definidas e cobradas

O presidente da associação mantém a contabilidade e apresenta o orçamento anual para aprovação entre um e três meses antes do fim de cada ano[1]. O dinheiro recebido deve ir para uma conta bancária em nome da associação. O decreto não fixa valor para as taxas de condomínio: elas vêm do orçamento e das decisões da própria associação[1,2]. Mais sobre isso em quem define as taxas de condomínio do prédio.

Operar e consertar equipamentos comuns é matéria administrativa[1,2]. A associação decide esses assuntos por maioria absoluta dos votos dos proprietários na primeira sessão e por maioria dos presentes na segunda. Os direitos e deveres de cada unidade sobre as partes comuns são um número em 1.000, e cada proprietário vota com essa cota[1]. Instalar equipamentos ou máquinas novos exige pelo menos 75% dos votos dos proprietários. Um novo gerador para o prédio provavelmente se enquadraria, mas nenhuma fonte que lemos diz isso. Veja como a associação de proprietários decide.

Se um proprietário não paga sua cota em até dez dias após receber a notificação, ela passa a valer como título escrito, e o presidente ou o administrador pode cobrar o valor pelo departamento de execução[1,2]. Essa regra se dirige ao proprietário e não diz nada sobre inquilinos.

O locador pode repassar as taxas ao inquilino?

Nenhuma fonte que encontramos responde a isso para taxas do prédio, do elevador ou do gerador. O decreto fala dos proprietários e não diz se o inquilino pode ser cobrado[1,2]. Os escritórios de advocacia divergem até em itens mais simples nos contratos posteriores a 1992: o Adala Law Firm diz que as taxas municipais ficam com o inquilino e o imposto sobre imóvel construído com o locador, enquanto o Jaber Law Firm diz que o locador paga impostos e outras taxas, salvo se o contrato dispuser diferente[3,4].

Assim, a divisão é a que o contrato disser, e convém deixá-la por escrito. A união de municípios de Dahye diz que o contrato registrado nela deve indicar os serviços que o proprietário presta e o preço deles, se houver[5]. Outros municípios podem ter regra diferente. Um guia comercial para expatriados (agosto de 2026) recomenda que o inquilino confira as condições do gerador e da assinatura do prédio antes de assinar e que obtenha por escrito os termos do contrato[6]. Veja quem paga cada conta em um imóvel alugado e como registrar o contrato de aluguel na prefeitura.

O elevador e as áreas comuns na conta do gerador

O aviso de tarifas de gerador do Ministério da Energia e Águas, de outubro de 2022, orientava os donos de gerador sobre como cobrar elevadores e áreas comuns em fornecimento trifásico: a parte fixa era cobrada pela capacidade monofásica (3x15 A cobrado como 15 A[7]). Não vimos se o aviso de setembro de 2026 repete essa regra. No aviso de tarifas de setembro de 2026, publicado em 1º de outubro de 2026, o ministério disse que os donos de gerador não podem somar à tarifa de referência o IVA, a menos que estejam registrados para ele, nem taxas de manutenção, nem sobretaxas para quem usa energia solar[8]. Se a conta das áreas comuns parecer errada, veja o que fazer quando o dono do gerador cobra a mais.

Como acertar as taxas comuns antes de assinar

  1. Peça os dados do terreno e da unidade. Peça ao vendedor ou ao locador o número do terreno, o número da unidade e o distrito imobiliário onde o terreno fica. Cada unidade tem seu próprio número somado ao número do terreno, com sua própria ficha[9]. Com isso você mesmo pode pedir a certidão do registro de imóveis (إفادة عقارية); veja como obter a certidão do registro de imóveis.
  2. Peça o regulamento do prédio. Onde há três ou mais unidades, é preciso depositar um regulamento certificado por tabelião, com a lista das unidades e a cota de cada uma nas áreas comuns em 1.000[9]. O regulamento do prédio pode distribuir algumas partes de outra forma, então confira no registro de imóveis[1,2].
  3. Peça o orçamento ao presidente da associação. Peça o último orçamento anual aprovado, o adiantamento mensal ou trimestral da sua unidade e se algum adiantamento especial para obras já foi decidido[1,2]. Peça por escrito, para ter a resposta no papel.
  4. Pergunte como o gerador e o elevador são alimentados e cobrados. Pergunte se o prédio tem gerador próprio ou assina com um operador privado, e quem paga os amperes das áreas comuns. Só o presidente ou o administrador pode dizer isso sobre o seu prédio.
  5. Se você está comprando, verifique os atrasados. Segundo o Kallas Law Firm, a assembleia pode cobrar as taxas de condomínio do antigo ou do novo proprietário se a comunicação não for feita[9]. Peça ao vendedor que comprove que as taxas estão pagas e escreva no contrato de venda quem paga eventuais atrasados.
  6. Se você está comprando, comunique o administrador. Pela leitura do Kallas Law Firm do art. 75, você deve comunicar o administrador do prédio no prazo de 30 dias[9] e depositar os documentos que comprovam a aquisição. Até lá, o antigo proprietário continua representando a unidade na assembleia de proprietários.
  7. Se você está alugando, escreva a divisão no contrato. Liste taxas de condomínio, elevador, eletricidade das áreas comuns e gerador, e diga quem paga cada um e quanto. Guarde uma cópia assinada.

Depende de

  • Proprietário ou inquilino. O decreto põe os custos comuns sobre os proprietários[1,2]. A parte do inquilino vem só do contrato, e os escritórios de advocacia divergem até sobre taxas municipais[3,4]. Um advogado pode ler seu contrato se você tiver dúvida.
  • Contrato antigo ou novo. Nenhuma de nossas fontes trata das taxas de condomínio nos contratos antigos anteriores a 1992. Consulte um advogado antes de pagar ou de se recusar a pagar.
  • Tamanho do prédio. A associação existe por lei com mais de três unidades privativas[1,2], e o conselho passa a ser obrigatório acima de 50 unidades privativas. Em prédios menores, pergunte aos proprietários como os custos são divididos.
  • Quem fornece a energia do gerador. Um gerador próprio do prédio provavelmente é tratado como equipamento comum operado pela associação, embora o decreto não cite geradores[1,2]. Um operador privado cobra pela tarifa mensal que o ministério emite com base na Decisão do Conselho de Ministros nº 2 de 14/12/2011[8]. Pergunte ao presidente qual caso vale para o seu prédio.
  • Atrasados de um proprietário anterior. Se a comunicação não foi feita, segundo o Kallas Law Firm, a associação pode cobrar qualquer um dos proprietários[9]. Resolva isso no contrato de venda com seu tabelião.

Perguntas frequentes

O inquilino precisa pagar o elevador no Líbano?

Nenhuma lei que encontramos diz sim ou não. O decreto torna os proprietários responsáveis por elevadores e equipamentos comuns[1,2]. Se o locador repassa o custo depende do que o contrato diz.

O que acontece se um proprietário não paga as taxas do prédio?

Se o proprietário não paga sua cota em até dez dias após a notificação, ela passa a valer como título escrito. O presidente ou o administrador pode então cobrar o valor pelo departamento de execução[1,2].

Quem decide o valor das taxas do prédio?

A associação de proprietários. Ela aprova um orçamento a cada ano, e o presidente pede adiantamentos aos proprietários[1]. O decreto em si não fixa valor[1,2].

O dono do gerador pode acrescentar taxa de manutenção na conta?

Não. No aviso de tarifas publicado em 1º de outubro de 2026, o Ministério da Energia e Águas disse que os donos de gerador não podem somar à tarifa de referência taxas de manutenção, IVA (a menos que estejam registrados para ele) nem sobretaxas para quem usa energia solar[8].

Fontes

Conferido nestas fontes. Os números no texto apontam para cá.

  1. 1.
    Legislative Decree No. 88 of 16/9/1983 on co-ownership of built property

    Joseph Wanis Official Site (lawyer Joseph Wanis) · 22 de mar. de 2019 · consultado em 17 de out. de 2026

  2. 2.
    Managing the ownership of floors and flats (Dr Nader Abdel Aziz Chaffi, Army Magazine issue 302-303, August 2010)

    Lebanese Army (Army Magazine, "We and the Law" section) · agosto de 2010 · consultado em 17 de out. de 2026

  3. 3.
    New rent contracts explained

    Adala Law Firm · 23 de out. de 2025 · consultado em 17 de out. de 2026

  4. 4.
    Jaber Law Firm: Real Estate in Lebanon (FAQ)

    Jaber Law Firm · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  5. 5.
    Request to register a lease contract

    Dahye (Southern Suburbs) Municipalities Union · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  6. 6.
    ExpatLife.ai: Renting in Lebanon 2026 (Housing guide)

    ExpatLife.ai · 13 de ago. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  7. 7.
    Ministry of Energy and Water issues the private generator tariff for October 2022

    Ministry of Energy and Water (Lebanon) · 27 de out. de 2022 · consultado em 17 de out. de 2026

  8. 8.
    Private generator tariff for September 2026

    Beirut24 (reproducing National News Agency / Ministry of Energy and Water statement) · 1 de out. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  9. 9.