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Existem áreas do Líbano onde estrangeiros não podem comprar?

7 min de leitura13 fontesRevisado por Tatyana Alwan, advogada, em 18 de out. de 2026
Nesta página
  1. Dados principais
  2. O que a lei limita: quem compra e quanto
  3. Zonas de fronteira e militares: o que achamos e o que não achamos
  4. O projeto de veto às vendas em cidades ocupadas do sul
  5. Como checar um lote específico antes de se comprometer
  6. Depende de
  7. Perguntas frequentes
  8. Fontes

Resposta curta

Nenhuma lei que encontramos fecha uma área nomeada a compradores estrangeiros. Os limites são por percentual: a propriedade estrangeira é limitada a 3% de cada distrito e 10% de Beirute[1,2,3] (o FAQ do IDAL diz cada província)[1,2,4,5,6], e, atingido o teto, não se concedem licenças para compras de vendedores libaneses. Uma agência cita restrições não especificadas em zonas de fronteira[7]. Um projeto do Gabinete congelaria vendas em cidades ocupadas do sul[8,9].

Também perguntam: “Áreas restritas para estrangeiros no Líbano” · “Estrangeiro pode comprar na fronteira do Líbano?” · “Estrangeiro pode comprar terreno no sul do Líbano?” · “Zonas militares são fechadas a compradores estrangeiros no Líbano?”

Em setembro de 2026, o Gabinete aprovou um projeto de lei que proibiria vendas em cidades do sul ocupadas por Israel. Ele precisa da aprovação do Parlamento e não é lei[8,9]. Esta página cobre o que foi publicado até 17 de outubro de 2026.

Dados principais

Áreas proibidas a estrangeiros com nome
Nenhuma encontrada em lei, decreto ou lista oficial que lemos
A lei
o Decreto Legislativo 11614 de 1969, alterado pela Lei 296/2001[1,3]
Sem licença
Até 3.000 m²[1,2,3] no total, incluindo imóvel construído
Tetos para propriedade estrangeira
3% de cada distrito e 10% de Beirute[1,2,3]; a maioria das fontes diz cada caza (distrito), o FAQ do IDAL diz cada província[1,2,4,5,6]
Zonas de fronteira
Uma agência cita restrições não especificadas[7]
Cidades ocupadas do sul
O projeto proibiria todos os proprietários de vender até o fim da ocupação[8,9]
Quem consultar
Um advogado imobiliário libanês ou o Departamento de Propriedade Estrangeira do registro de imóveis (السجل العقاري), que cuida dos processos de aquisição por não libaneses[10]

O que a lei limita: quem compra e quanto

A lei libanesa de propriedade estrangeira é o Decreto Legislativo 11614 de 1969, alterado pela Lei 296/2001[1,3]. Ela considera estrangeiro qualquer pessoa que não tenha a nacionalidade libanesa[1] e permite que um estrangeiro tenha até 3.000 m²[1,2,3] no total sem licença. Acima disso, é preciso um decreto do Conselho de Ministros, que o Conselho concede a seu critério, sem recurso. As regras gerais estão em estrangeiros podem comprar imóvel no Líbano?.

A parte geográfica da lei são tetos. A propriedade estrangeira não pode passar de 3% da superfície do Líbano, ou seja, 3% de cada distrito e 10% de Beirute[1,2,3], medidos sobre a superfície total. As fontes divergem quanto à unidade. O FAQ do IDAL diz 3% de cada província, enquanto o documento do próprio IDAL sobre o marco legal e os escritórios Choueh, Legal 500 (Bijjani) e Mattar dizem cada caza (distrito)[1,2,4,5,6]. Não achamos lista publicada de distritos que atingiram o teto. Os limites de 3% e 10% têm página própria.

Zonas de fronteira e militares: o que achamos e o que não achamos

Uma imobiliária, a JSK Real Estate, escreve que compradores estrangeiros enfrentam "algumas restrições em zonas de fronteira", sem nomear as zonas nem as restrições[7]. Não achamos texto de lei, decreto ou lista oficial de zonas de fronteira, militares ou de segurança que limite a propriedade estrangeira. Uma regra assim ainda pode existir, mas não a encontramos publicada em lugar que pudéssemos conferir.

Por isso, não aceite a palavra de um corretor, nem num sentido nem no outro. Antes de pagar qualquer coisa, entregue a um advogado imobiliário libanês o número do lote e o distrito registral e pergunte por escrito: "Há alguma restrição à aquisição por não libanês registrada neste lote ou aplicável a ele?" O Departamento de Propriedade Estrangeira do registro de imóveis cuida dos processos de aquisição de compradores não libaneses[10]; é o órgão a quem fazer essa pergunta. Não achamos declaração publicada sobre o que ele confirma ou em quanto tempo, e um advogado pode perguntar em seu nome. Leia antes a certidão do registro de imóveis (إفادة عقارية): ela mostra o proprietário, ônus, hipotecas e restrições registradas no lote[11,12]. Veja como checar a escritura.

O projeto de veto às vendas em cidades ocupadas do sul

Em setembro de 2026, o Gabinete aprovou um projeto de lei proposto pelo ministro das Finanças, Yassine Jaber. Ele proibiria os donos de terrenos, prédios, unidades ou cotas em cidades do sul do Líbano ocupadas por Israel de vender até o fim da ocupação[8,9]. O projeto vale para todos, inclusive proprietários libaneses, e não traz nada específico para estrangeiros. Nenhuma fonte lista quais cidades contam como ocupadas.

Segundo a LBCI, vendas, promessas de venda e procurações de venda assinadas a partir de 8 de outubro de 2023[8] até a publicação da lei não poderiam ser concluídas nem registradas sem aprovação de um comitê especializado. Alguns casos seriam excluídos, entre eles contratos e procurações irrevogáveis anteriores a essa data e imóveis vendidos por incorporadoras e construtoras. Os relatos divergem sobre em que pé está. A LBCI (26 de setembro de 2026) disse que o projeto foi enviado ao Parlamento, enquanto a Arab News (30 de setembro de 2026), citando três deputados, disse que ele não chegou ao Parlamento nem a nenhuma comissão[8,9]. Segundo a Arab News (30 de setembro de 2026), a Comissão de Legislação e Consulta recusou-se a endossar o texto, dizendo que ele conflita com a proteção constitucional da propriedade privada[9]. Mais em comprar terreno no sul do Líbano após o projeto de veto.

Como checar um lote específico antes de se comprometer

  1. Tenha a identidade do lote no papel. Peça ao vendedor o número do lote e o distrito registral (e a seção, no caso de apartamento) e depois obtenha uma certidão recente do registro de imóveis para esse lote. Ela mostra o proprietário e as restrições registradas[11,12]. Para ver onde o lote fica no terreno, veja como obter mapa cadastral ou levantamento.
  2. Pergunte por escrito sobre as zonas. Envie os dados do lote a um advogado imobiliário libanês e pergunte se há alguma restrição de fronteira, militar ou de outro tipo a compradores não libaneses. O advogado também pode levar a pergunta ao Departamento de Propriedade Estrangeira, que cuida dos processos de aquisição de não libaneses[10]. Guarde a resposta por escrito.
  3. Confira seu total e monte o processo. Some a nova área ao que você, seu cônjuge e seus filhos menores já têm, pois você, seu cônjuge e seus filhos menores contam como um único comprador[1,3]. O comprador declara esses imóveis em um termo de compromisso assinado perante um notário, e declaração falsa vai ao Ministério Público[10]. O Departamento de Propriedade Estrangeira lista estes documentos: certidão de registro civil familiar com menos de um ano, autenticada pela embaixada competente no Líbano; passaporte do cônjuge; certidões oficiais das áreas que você já possui no Líbano; uma declaração juramentada para cada imóvel; e uma procuração, se outra pessoa fizer o pedido. A página dele não informa prazo de análise, então pergunte ao advogado quanto o processo costuma levar.
  4. No sul, confira a situação do projeto. Pergunte ao advogado se a cidade conta como ocupada e se o projeto foi aprovado, pois ele bloquearia vendas até o fim da ocupação[8,9].
  5. Assine no notário e registre. A propriedade só passa quando a venda é inscrita no registro de imóveis[12]. Até lá, você tem apenas um direito contra o vendedor[3,12].

Depende de

  • Sua nacionalidade. A lei considera estrangeiro qualquer pessoa que não tenha a nacionalidade libanesa[1]. Nenhuma fonte trata de dupla nacionalidade, então pergunte ao notário como você será tratado antes de assinar.
  • O distrito. Onde um distrito ou Beirute atingiu o teto, não se concedem mais licenças para compras de vendedores libaneses[1,2,3]. O Departamento de Propriedade Estrangeira cuida das aquisições de não libaneses[10], então é o órgão para perguntar se seu distrito está perto do teto; não achamos declaração publicada do que ele informa, então pergunte por meio de um advogado.
  • Se o lote fica em cidade ocupada do sul. O projeto aprovado pelo Gabinete congelaria vendas ali para todos os proprietários[8,9]. Um advogado pode dizer em que fase ele está.
  • O tamanho da compra. Acima de 3.000 m²[1,2,3], é preciso um decreto do Conselho de Ministros, que é discricionário.
  • Apatridia. O Artigo 1(2) proíbe qualquer direito real a quem não tem cidadania de um Estado reconhecido. O GLTN/UN-Habitat lê isso como proibição de refugiados palestinos adquirirem por venda ou herança; o Conselho Norueguês para Refugiados argumenta que a herança é isenta pelo Art. 3(4) e observa que o Líbano reconheceu a Palestina em 2008[3,13]. Veja direitos de propriedade dos palestinos.

Perguntas frequentes

Existe lista oficial de áreas onde estrangeiros não podem comprar no Líbano?

Não achamos: nenhum texto de lei, decreto ou lista oficial de zonas de fronteira ou militares restritas a compradores estrangeiros. Uma agência, a JSK Real Estate, cita restrições não especificadas em zonas de fronteira[7]. Peça a um advogado imobiliário libanês que cheque seu lote, inclusive junto ao Departamento de Propriedade Estrangeira do registro de imóveis.

Estrangeiro pode comprar terreno no sul do Líbano?

Não achamos regra voltada a estrangeiros ali, mas um projeto de lei aprovado pelo Gabinete em setembro de 2026 proibiria todos os proprietários de cidades do sul ocupadas por Israel de vender até o fim da ocupação[8,9]. Ele precisa da aprovação do Parlamento, e nenhuma fonte lista quais cidades contam.

Estrangeiro pode comprar em Beirute?

Sim, dentro do total de 3.000 m²[1,2,3]. Beirute tem teto próprio: a propriedade estrangeira ali não pode passar de 10% da superfície da cidade.

Fontes

Conferido nestas fontes. Os números no texto apontam para cá.

  1. 1.
    Legal Framework for Ownership of Land in Lebanon

    IDAL (Investment Development Authority of Lebanon) · março de 2018 · consultado em 16 de out. de 2026

  2. 2.
    Limitations and Restrictions for foreign investors

    IDAL (Investment Development Authority of Lebanon) · sem data · consultado em 16 de out. de 2026

  3. 3.
    Legislative and Administrative Land and Property Rights Framework. Lebanon

    GLTN / UN-Habitat · maio de 2024 · consultado em 16 de out. de 2026

  4. 4.
    Lebanese Real Estate Differences

    Choueh Law Firm · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  5. 5.
    Lebanon: Project Finance – Country Comparative Guides

    Legal 500 (Country Comparative Guides), contributor Bijjani Advocates · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  6. 6.
    Foreign Investments in Lebanon

    Mattar Law · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  7. 7.
    How Expats Can Buy Property in Lebanon: A Complete Guide

    JSK Real Estate · 18 de nov. de 2025 · consultado em 17 de out. de 2026

  8. 8.
    A new law could reshape property sales in southern Lebanon's occupied towns

    LBCI (LBC Group) · 26 de set. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  9. 9.
    Who will protect occupied southern Lebanon from controversial land sales?

    Arab News · 30 de set. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  10. 10.
    Foreign Ownership Department

    Directorate of Land Registry and Cadastre (DLRC/LRC), Lebanon · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  11. 11.
    The Land Registry in Lebanese Law — Part Six of the Practical Guide to the Code of Real Property

    Kallas Law Firm · 25 de mai. de 2026 · consultado em 16 de out. de 2026

  12. 12.
    How to Buy Property in Lebanon: The Legal Steps from Verification to Inscription

    Kallas Law Firm · 9 de jun. de 2026 · consultado em 16 de out. de 2026

  13. 13.
    Palestinian Refugees' Right to Inherit under the 2001 Amendment Law – Beirut Test Case

    Norwegian Refugee Council · janeiro de 2016 · consultado em 16 de out. de 2026