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Qual lei rege a herança de um franco-libanês com imóveis no Líbano e na França?

8 min de leitura19 fontesRevisado por Tatyana Alwan, advogada, em 18 de out. de 2026
Nesta página
  1. Dados principais
  2. O que a lei libanesa diz e o que deixa em aberto
  3. Um testamento feito na França
  4. Herdeiros franceses, imóveis libaneses e imposto libanês
  5. O que os herdeiros no exterior fazem primeiro
  6. Depende de
  7. Perguntas frequentes
  8. Fontes

Resposta curta

Nenhuma fonte publicada resolve o caso de quem tem dupla nacionalidade. A herança no Líbano segue a comunidade religiosa do falecido[1,2]. O escritório Kallas Law Firm diz que a sucessão pode ser afetada por a Lei de 18 de junho de 1929[1] e por regras de conflito de leis, que definem a lei de qual país rege cada bem. O escritório Mattar Law Firm diz que a herança se abre em o último domicílio do falecido[3]. Consulte um advogado habilitado nos dois países e um notaire francês.

Também perguntam: “Herança de franco-libanês: qual lei vale?” · “Testamento francês vale no Líbano?” · “Dupla nacionalidade França e Líbano herança” · “Espólio com bens na França e no Líbano”

Nenhuma fonte que encontramos trata de convenção franco-libanesa sobre sucessão ou imposto, de dupla nacionalidade, ou de como as regras francesas e libanesas de herança forçada interagem sobre imóveis no Líbano. Esta página cobre o que foi publicado até 17 de outubro de 2026.

Dados principais

Ponto de partida no Líbano
A sucessão segue a comunidade religiosa do falecido[1,2]
Heranças de não muçulmanos
Regidas por a Lei de 23 de junho de 1959[1,2,4]
Elemento estrangeiro
Pode ser afetado por a Lei de 18 de junho de 1929[1] e por regras de conflito de leis, segundo o Kallas Law Firm
Onde a herança se abre
o último domicílio do falecido[3], segundo o Mattar Law Firm
Testamento feito na França
Só é executado no Líbano após o exequatur de um tribunal de apelação libanês[2]
Herdeiros protegidos (não muçulmanos)
os descendentes, os pais e o cônjuge[1,2,5]
Imposto libanês de herança
Incide sobre todos os bens no Líbano, seja qual for a nacionalidade do falecido[2,6]
Convenção França-Líbano
Não tratada em nenhuma fonte que encontramos

O que a lei libanesa diz e o que deixa em aberto

O Líbano não tem um código civil único de herança. Muçulmanos herdam pelo direito islâmico e não muçulmanos por uma lei civil, então a comunidade do falecido define as cotas[1,2]. Para cristãos e judeus, essa lei é a Lei de 23 de junho de 1959[1,2,4]. Veja mais em qual lei de herança se aplica à sua família e como a lei de 1959 divide uma herança.

Quando há um estrangeiro envolvido, o Kallas Law Firm diz que a sucessão pode ser afetada por a Lei de 18 de junho de 1929[1] e por regras de conflito de leis, que decidem a lei de qual país vale para cada bem. O Kallas aconselha famílias mistas a resolver essa questão logo no início. Não lemos essa lei, e nenhuma fonte explica como ela trata quem é libanês e francês ao mesmo tempo.

O Mattar Law Firm diz que a herança se abre no último domicílio do falecido, onde quer que o imóvel esteja, e que isso vale também para heranças internacionais[3]. O Mattar não diz em qual artigo se baseia. Provavelmente é a lei de 1959, que cobre apenas não muçulmanos. Não temos nenhuma fonte sobre as regras francesas, então quem pode dizer como a França trata a herança, inclusive os imóveis no Líbano, é um notaire francês. Um advogado libanês pode dizer como um tribunal libanês verá o caso.

Um testamento feito na França

Para não muçulmanos, o Kallas diz que o testamento de um libanês feito no exterior pode seguir as formalidades do país estrangeiro para atos autênticos, e que um testamento manuscrito feito no exterior pode ser depositado com o cônsul libanês[4,5]. O Kallas alerta que um testamento manuscrito não depositado ou não lacrado pode ser declarado nulo.

Segundo o PBL Law Group, um testamento estrangeiro só é executado no Líbano após o exequatur de um tribunal de apelação libanês. Pode ser o tribunal da residência do legatário, o do local dos bens ou o presidente do Tribunal de Apelação de Beirute, e o exequatur pode ser negado se o testamento violar as regras libanesas de herança forçada[2]. Pela lei de 1959, uma parte protegida é reservada a os descendentes, os pais e o cônjuge[1,2,5], e um testamento não pode anulá-la. Uma página do Kallas diz que os pais só são protegidos quando não há descendentes; um advogado libanês pode confirmar. O Kallas diz que um testamento que doa demais não é nulo, mas é reduzido à parte disponível, e só um herdeiro reservatário pode pedir isso[4,5].

Na leitura do Kallas sobre a lei de 1959, um legado a quem não é libanês só vale se a lei nacional dessa pessoa permitir legados a libaneses, e apenas na medida em que permitir[4]. Não temos fonte sobre o que a lei francesa permite. Pergunte ao notaire francês.

Herdeiros franceses, imóveis libaneses e imposto libanês

Dois escritórios dizem que um herdeiro estrangeiro pode herdar imóveis no Líbano com base na reciprocidade, ou seja, na medida em que a lei do próprio herdeiro permite que libaneses herdem. O Kallas acrescenta que cotas herdadas não exigem a licença que estrangeiros precisam para comprar[3,5]. Nenhuma fonte diz se a área herdada conta para os limites dos estrangeiros[5,7]. Veja herdeiros estrangeiros e o limite de 3.000 m².

O imposto libanês de herança incide sobre todos os bens no Líbano transmitidos por morte, seja qual for a nacionalidade do falecido[2,6]. O Kallas acrescenta que ele alcança também bens no exterior quando o falecido residia no Líbano, e o PBL observa que tratados fiscais podem criar exceções. Não encontramos fonte sobre se um tratado França-Líbano cobre herança. Pergunte ao Ministério das Finanças e a um consultor tributário francês antes que alguém pague duas vezes.

O que os herdeiros no exterior fazem primeiro

  1. Identifique cada imóvel libanês no papel. Peça ao advogado, para cada imóvel, o número do lote e a circunscrição imobiliária, e o número da seção no caso de apartamento, como constam na escritura do falecido. Depois peça uma certidão recente do registro de imóveis (إفادة عقارية) de cada lote, para associar cada uma ao imóvel certo. A certidão mostra o proprietário, as hipotecas e as restrições[8,9]. As cotas são expressas em 2.400 cotas[10,11,12], então confira a fração do falecido. Veja como obter a certidão do registro de imóveis.
  2. Registre o óbito no Líbano. Em caso de morte no exterior, a certidão de óbito passa pela embaixada ou consulado do Líbano, depois pelo Ministério das Relações Exteriores e em seguida pelo Ministério do Interior. O Kallas estima isso em cerca de dois meses[13].
  3. Apresente a declaração da herança. Os herdeiros a entregam ao Ministério das Finanças em até 90 dias após o óbito[6,13,14]. Se você estava no exterior na data do óbito, o Kallas diz que é possível pedir uma prorrogação de até um ano[1,13]. Ela não é automática, e óbitos no exterior são tratados pelo departamento de taxas de transferência de Beirute.
  4. Busque orientação nos dois países antes da etapa judicial. Pergunte ao notaire francês e a um advogado libanês qual lei rege os imóveis no Líbano, se algum testamento vale nos dois países e se as regras libanesas de reserva se aplicam.
  5. Obtenha a decisão de herdeiros (حصر إرث, hasr irth). Nenhum imóvel pode ser transferido aos herdeiros enquanto ela não existir[1,2,13]. Nenhuma fonte que encontramos informa o custo ou o prazo; pergunte ao advogado libanês que cuida do caso. Para não muçulmanos, o PBL diz que ela é emitida por um juiz singular do tribunal de primeira instância do último domicílio[2,3]. Para as outras comunidades, veja qual tribunal emite o hasr irth.
  6. Aja por procuração. O Kallas diz que os herdeiros podem nomear um advogado ou parente no Líbano para cuidar da declaração, da decisão de herdeiros, do imposto e da transferência ou venda, e que vender exige um mandato especial expresso[1]. Você assina em uma missão libanesa, ou diante de um notário francês, e depois a procuração é autenticada pelas autoridades francesas e legalizada pela embaixada ou consulado do Líbano[15,16,17,18]. A apostila não serve, porque o Líbano não é parte da Convenção da Apostila[19]. Veja como atuar pelos herdeiros a partir do exterior.
  7. Quite o imposto e depois registre. Notários e o registro não atuam sobre a herança antes de o Ministério das Finanças autorizar[13]. O Kallas diz que a autorização só sai depois de pago o imposto, ou de dada garantia de duas vezes o valor máximo dele. A transferência é feita em o cartório de Registro de Imóveis da localidade do imóvel[2,13], com a decisão de herdeiros, a autorização, as escrituras e uma escritura de transferência lavrada em notário. Nenhuma fonte que encontramos informa taxa do registro ou do notário, nem prazo, para essa transferência; peça ao advogado ou ao notário uma estimativa por escrito.

Depende de

  • A comunidade religiosa do falecido. Ela define quem herda e em quais cotas no Líbano[1,2]. O tribunal religioso ou um advogado pode confirmar quais regras valem.
  • O último domicílio. Segundo o Mattar, a herança se abre em o último domicílio do falecido[3]. Pode importar se foi na França ou no Líbano, então pergunte a um advogado habilitado nos dois sistemas.
  • Se há testamento e onde foi feito. Segundo o PBL, um testamento francês precisa de exequatur libanês e pode ser recusado se violar a reserva[2]. Pergunte ao notaire francês e a um advogado libanês.
  • A nacionalidade dos herdeiros. Dois escritórios dizem que herdeiros não libaneses herdam com base na reciprocidade com a lei do seu país[3,5]. Pergunte ao notaire francês o que a lei francesa permite.
  • Onde o falecido residia para fins fiscais. O Kallas diz que o imposto libanês pode alcançar bens no exterior de quem residia no Líbano, e o PBL diz que tratados podem abrir exceções[2,6]. Pergunte ao Ministério das Finanças e a um consultor tributário francês.

Perguntas frequentes

A lei francesa decide o que acontece com um apartamento no Líbano?

Nenhuma fonte que encontramos responde isso para um franco-libanês. O Kallas Law Firm diz que a sucessão pode ser afetada pela Lei de 18 de junho de 1929 e por regras de conflito de leis, que decidem a lei de qual país rege cada bem[1]. Um advogado habilitado nos dois sistemas é a pessoa certa para perguntar.

Um testamento francês vale no Líbano?

Segundo o PBL Law Group, um testamento estrangeiro só é executado no Líbano após o exequatur de um tribunal de apelação libanês. O tribunal pode recusar se o testamento violar as regras libanesas de herança forçada[2].

Herdeiros franceses precisam de licença para herdar imóveis no Líbano?

O Kallas Law Firm diz que cotas herdadas não estão sujeitas à licença que estrangeiros precisam para comprar. Dois escritórios dizem que herdeiros estrangeiros herdam com base na reciprocidade, na medida em que a lei deles permite que libaneses herdem[3,5].

O imposto libanês de herança é devido se o falecido morava na França?

Sim, para os bens no Líbano. O imposto incide sobre todos os bens no Líbano transmitidos por morte, seja qual for a nacionalidade do falecido[2,6].

Fontes

Conferido nestas fontes. Os números no texto apontam para cá.

  1. 1.
    Inheritance Law in Lebanon: A Guide for Heirs and Families Abroad

    Kallas Law Firm · 20 de jun. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  2. 2.
    International Estate Planning in Lebanon: A Clear Overview for High Net-Worth Families

    PBL Law Group · 5 de abr. de 2025 · consultado em 17 de out. de 2026

  3. 3.
    Mattar Law Firm: Inheritance and Wills in Lebanon

    Mattar Law Firm · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  4. 4.
    How to Make a Valid Will in Lebanon: A Guide for Christian Families

    Kallas Law Firm (klfi.net) · 21 de jun. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  5. 5.
    Christian Inheritance in Lebanon: How an Estate Is Divided Under the 1959 Law

    Kallas Law Firm · 20 de jun. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  6. 6.
    Inheritance Tax in Lebanon 2026: Rates, Exemptions and Calculator

    Kallas Law Firm · 20 de jun. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  7. 7.
    Palestinian Refugees' Right to Inherit under the 2001 Amendment Law – Beirut Test Case

    Norwegian Refugee Council · janeiro de 2016 · consultado em 16 de out. de 2026

  8. 8.
    The Land Registry in Lebanese Law — Part Six of the Practical Guide to the Code of Real Property

    Kallas Law Firm · 25 de mai. de 2026 · consultado em 16 de out. de 2026

  9. 9.
    How to Buy Property in Lebanon: The Legal Steps from Verification to Inscription

    Kallas Law Firm · 9 de jun. de 2026 · consultado em 16 de out. de 2026

  10. 10.
  11. 11.
    How to Find Real Estate and Land Register Information in Lebanon

    Legalmondo · 17 de jun. de 2025 · consultado em 17 de out. de 2026

  12. 12.
    Legislative and Administrative Land and Property Rights Framework. Lebanon

    GLTN / UN-Habitat · maio de 2024 · consultado em 16 de out. de 2026

  13. 13.
    Inheritance in Lebanon: Probate, Estate Declaration and Inheritance Tax (2026)

    Kallas Law Firm · 27 de jun. de 2022 · consultado em 17 de out. de 2026

  14. 14.
    Declaration within 90 days: Finance Minister memo on liquidating estates and inheritance

    Annahar · 15 de abr. de 2025 · consultado em 17 de out. de 2026

  15. 15.
    Power of Attorney

    Embassy of Lebanon, Washington DC · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  16. 16.
    Legalization of Powers of Attorney not Drafted at the Consulate

    Consulate General of Lebanon, New York · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  17. 17.
    Power of Attorney

    Embassy of Lebanon, The Hague · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  18. 18.
    Services consulaires supplémentaires par courrier

    Embassy of Lebanon, Brussels · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  19. 19.
    Status table – 12: Convention of 5 October 1961 Abolishing the Requirement of Legalisation for Foreign Public Documents

    HCCH (Hague Conference on Private International Law) · 30 de jun. de 2026 · consultado em 16 de out. de 2026