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Qual lei de herança se aplica a mim no Líbano: muçulmana, cristã, drusa ou de estrangeiro?

7 min de leitura11 fontesRevisado por Tatyana Alwan, advogada, em 18 de out. de 2026
Nesta página
  1. Dados principais
  2. Por que a comunidade do falecido decide
  3. Heranças de muçulmanos e drusos
  4. Cristãos e judeus: a lei de 1959
  5. Estrangeiros, dupla nacionalidade e famílias mistas
  6. Como descobrir quais regras valem para a sua família
  7. Depende de
  8. Perguntas frequentes
  9. Fontes

Resposta curta

Depende da comunidade religiosa de quem morreu, porque o Líbano não tem um código civil único de herança[1,2]. As heranças de muçulmanos seguem a lei islâmica e suas partes fixas[1,3]. Cristãos e judeus ficam sob a Lei de 23 de junho de 1959[1,2,3]. Quando há um estrangeiro envolvido, um escritório diz que vale a Lei de 18 de junho de 1929[1] e regras de conflito de leis também podem se aplicar. Não achamos regras publicadas sobre as partes dos drusos.

Também perguntam: “Qual lei de herança vale no Líbano?” · “Herança muçulmana ou cristã no Líbano” · “Lei de herança drusa no Líbano” · “Que lei vale quando um estrangeiro morre com imóvel no Líbano?”

Dados principais

O que define a lei
A comunidade religiosa do falecido[1,2]
Heranças de muçulmanos
Partes fixas islâmicas; segundo o Kallas, um testamento pode deixar até um terço da herança[1,3] a quem não é herdeiro
Cristãos e judeus
a Lei de 23 de junho de 1959[1,2,3]; os testamentos também seguem o Decreto-Lei de 7 de março de 1929
Filhos pela lei de 1959
partes iguais para filhos e filhas[4]
Herdeiros protegidos pela lei de 1959
os descendentes, os pais e o cônjuge[1,2,4]
Estrangeiro envolvido
Segundo o Kallas, a Lei de 18 de junho de 1929[1] e regras de conflito de leis
Imposto sobre herança
Igual para todas as comunidades, segundo o escritório Kallas[5]

Por que a comunidade do falecido decide

O Líbano não tem um código civil único de herança. A sucessão segue a comunidade religiosa de quem morreu: lei islâmica para muçulmanos e uma lei civil para não muçulmanos[1,2]. O PBL Law Group observa que o Líbano reconhece 18 comunidades religiosas e que a filiação da pessoa define tanto a lei de herança quanto o tribunal que cuida do espólio.

O imposto é o mesmo em qualquer comunidade. Segundo o escritório Kallas, a taxa de transferência por herança é igual para todos; só mudam as regras sobre quem herda e em quais partes[5].

Heranças de muçulmanos e drusos

Segundo o escritório Kallas, as heranças de muçulmanos passam por partes fixas islâmicas, e em geral o filho recebe o dobro da parte da filha. Um muçulmano pode deixar por testamento até um terço da herança[1,3] a quem ainda não é herdeiro, e o resto segue as partes fixas. Isso vem de um único escritório, e não achamos tabelas de partes publicadas para heranças sunitas, jafaritas (xiitas) ou drusas. O tribunal religioso da comunidade do falecido, ou um advogado, pode informar as partes da sua família.

Em outubro de 2026, as fontes divergem sobre qual tribunal cuida dessas heranças. O Kallas diz que as heranças de muçulmanos vão para os tribunais religiosos: os tribunais sharia sunitas e jafaritas e, para a comunidade drusa, os tribunais drusos. O PBL diz que um tribunal religioso conduz o processo quando o estatuto pessoal está sob sua competência. O escritório Mattar diz apenas que os tribunais civis de primeira instância são competentes para herança, sem distinguir por comunidade, e pode estar falando só de heranças sob a lei civil[1,2,6]. Veja qual tribunal emite o hasr irth.

Cristãos e judeus: a lei de 1959

Os não muçulmanos, isto é, cristãos de todas as denominações e judeus, herdam segundo a Lei de 23 de junho de 1959[1,2,3], e seus testamentos também seguem o Decreto-Lei de 7 de março de 1929. Na leitura do Kallas sobre a lei de 1959, os filhos recebem partes iguais para filhos e filhas[4]. Uma parte protegida é reservada a os descendentes, os pais e o cônjuge[1,2,4], e um testamento não pode anulá-la. Uma página do Kallas conta os pais como herdeiros protegidos só quando não há descendentes; por isso, um advogado pode confirmar como isso funciona na sua família.

Segundo o PBL, o hasr irth (a decisão judicial que nomeia os herdeiros, حصر إرث) dessas heranças é emitido por um juiz singular do tribunal de primeira instância do último domicílio[2,6]. A divisão do espólio entre cônjuge, filhos, pais e irmãos está em como a herança é dividida pela lei dos não muçulmanos.

Estrangeiros, dupla nacionalidade e famílias mistas

Quando o espólio envolve um estrangeiro, o Kallas diz que a sucessão pode ser afetada por a Lei de 18 de junho de 1929[1] e por regras de conflito de leis, que decidem qual lei de qual país vale para cada bem. O Kallas recomenda resolver isso logo no início. O escritório Mattar diz que a sucessão se abre em o último domicílio do falecido[6], onde quer que estejam os bens, e que essa regra também vale para heranças internacionais. O Mattar não diz qual lei está citando. Se a sua família tem ligação com a França, veja sucessão franco-libanesa.

Dois escritórios dizem que um herdeiro estrangeiro pode herdar imóvel libanês por reciprocidade, na medida em que a lei do país dele permita que libaneses herdem[4,6]. O Kallas diz que as partes herdadas não precisam da licença exigida de estrangeiros para comprar imóveis[4,7]. Mais em herdeiros estrangeiros e o limite de 3.000 m². O imposto sobre herança vale para os bens no Líbano, seja qual for a nacionalidade do falecido[2,5].

Não achamos fonte sobre dupla nacionalidade, famílias de seitas mistas, conversões ou casamentos civis feitos no exterior. Se algum desses casos é o seu, consulte um advogado libanês antes de protocolar qualquer coisa e pergunte à secretaria do tribunal da comunidade do falecido qual tribunal vai receber o caso.

Como descobrir quais regras valem para a sua família

  1. Reúna os documentos de estado civil do falecido. Segundo o Kallas, o tribunal exige a certidão de óbito, o extrato familiar do falecido com o nome riscado, os extratos familiares dos herdeiros, a declaração de herdeiros do mukhtar e a licença de declaração do Ministério das Finanças. O PBL lista um extrato do registro familiar, a certidão de óbito, uma declaração de herança, uma cópia da carteira de identidade do falecido e um formulário de declaração com todos os bens[1,2,8]. Peça à secretaria do tribunal a lista exata.
  2. Identifique a comunidade e o tribunal. O Kallas indica os tribunais religiosos para heranças de muçulmanos e drusos, e o PBL diz que um tribunal religioso atua quando o estatuto pessoal está sob sua competência. O Mattar diz apenas que os tribunais civis de primeira instância são competentes para herança, sem distinguir por comunidade, e pode estar falando de heranças sob a lei civil[1,2,6]. Para não muçulmanos, o PBL indica o tribunal de primeira instância do último domicílio[2,6]. Um advogado pode confirmar qual tribunal fica com o seu caso.
  3. Declare a herança ao Ministério das Finanças. Os herdeiros apresentam a declaração à repartição financeira competente em até 90 dias após o óbito[5,8,9]. Segundo o Kallas, isso vem antes da decisão do tribunal, porque a licença que resulta dela é um dos documentos que o tribunal exige, e o processo no Ministério é concluído em até seis meses após o óbito[1,8].
  4. Obtenha a certidão do registro de imóveis de cada propriedade. Ela mostra o proprietário registrado, as hipotecas e as restrições[10,11], e assim você vê por conta própria o que o espólio tem. Primeiro descubra o número, a zona e a seção do imóvel; depois peça a certidão ao registro de imóveis (السجل العقاري) do distrito onde o imóvel fica.
  5. Se você mora no exterior, nomeie alguém. Segundo o Kallas, os herdeiros podem agir por procuração a um advogado ou parente no Líbano, cobrindo todas as etapas. Para vender um imóvel, a procuração precisa dar um mandato especial expresso para a venda; uma procuração geral não basta[1]. Veja como agir pelos herdeiros do exterior.

Depende de

  • A comunidade do falecido. Ela decide as partes e o tribunal[1,2]. O tribunal religioso dessa comunidade ou um advogado confirma as regras.
  • Nacionalidade estrangeira na família. O Kallas diz que a Lei de 18 de junho de 1929[1] e regras de conflito de leis podem decidir qual lei de qual país cobre cada bem. Procure um advogado que trate de heranças internacionais.
  • Um testamento. Um muçulmano pode deixar até um terço da herança[1,3] a quem não é herdeiro, segundo o Kallas. Pela lei de 1959, a parte de os descendentes, os pais e o cônjuge[1,2,4] é protegida, embora uma página do Kallas conte os pais só quando não há descendentes. Um notário ou advogado pode verificar se um testamento é válido.
  • Famílias de seitas mistas, conversões ou casamento civil no exterior. Não achamos fonte sobre esses casos. Consulte um advogado e a secretaria do tribunal antes de confiar em qualquer regra.
  • Heranças de drusos. O Kallas cita os tribunais drusos, enquanto o Mattar fala só dos tribunais civis para herança em geral[1,2,6]. Não achamos regras publicadas sobre as partes dos drusos. Pergunte ao tribunal druso ou a um advogado.

Perguntas frequentes

A minha religião como herdeiro muda a lei que se aplica?

As fontes dizem que a sucessão segue a comunidade de quem morreu[1,2]. Não achamos fonte sobre famílias mistas ou mudança de religião; por isso, consulte um advogado.

No Líbano, as filhas herdam o mesmo que os filhos?

Pela lei de 1959 para não muçulmanos, os filhos recebem partes iguais para filhos e filhas[4]. Nas heranças de muçulmanos, o escritório Kallas diz que em geral o filho recebe o dobro da parte da filha[1,3].

O imposto sobre herança é diferente para muçulmanos e cristãos?

Não. Segundo o escritório Kallas, a taxa de transferência é a mesma para todas as comunidades; só as partes da herança mudam[5].

Um estrangeiro pode herdar imóvel no Líbano?

Dois escritórios dizem que sim, por reciprocidade: na medida em que o país do herdeiro permita que libaneses herdem[4,6]. Confirme com um advogado a situação da sua nacionalidade.

Fontes

Conferido nestas fontes. Os números no texto apontam para cá.

  1. 1.
    Inheritance Law in Lebanon: A Guide for Heirs and Families Abroad

    Kallas Law Firm · 20 de jun. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  2. 2.
    International Estate Planning in Lebanon: A Clear Overview for High Net-Worth Families

    PBL Law Group · 5 de abr. de 2025 · consultado em 17 de out. de 2026

  3. 3.
    How to Make a Valid Will in Lebanon: A Guide for Christian Families

    Kallas Law Firm (klfi.net) · 21 de jun. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  4. 4.
    Christian Inheritance in Lebanon: How an Estate Is Divided Under the 1959 Law

    Kallas Law Firm · 20 de jun. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  5. 5.
    Inheritance Tax in Lebanon 2026: Rates, Exemptions and Calculator

    Kallas Law Firm · 20 de jun. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  6. 6.
    Mattar Law Firm: Inheritance and Wills in Lebanon

    Mattar Law Firm · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

  7. 7.
    Palestinian Refugees' Right to Inherit under the 2001 Amendment Law – Beirut Test Case

    Norwegian Refugee Council · janeiro de 2016 · consultado em 16 de out. de 2026

  8. 8.
    Inheritance in Lebanon: Probate, Estate Declaration and Inheritance Tax (2026)

    Kallas Law Firm · 27 de jun. de 2022 · consultado em 17 de out. de 2026

  9. 9.
    Declaration within 90 days: Finance Minister memo on liquidating estates and inheritance

    Annahar · 15 de abr. de 2025 · consultado em 17 de out. de 2026

  10. 10.
    The Land Registry in Lebanese Law — Part Six of the Practical Guide to the Code of Real Property

    Kallas Law Firm · 25 de mai. de 2026 · consultado em 16 de out. de 2026

  11. 11.
    How to Buy Property in Lebanon: The Legal Steps from Verification to Inscription

    Kallas Law Firm · 9 de jun. de 2026 · consultado em 16 de out. de 2026