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Ainda posso comprar ou vender terreno no sul do Líbano após o projeto que proíbe vendas?

10 min de leitura32 fontesRevisado por Tatyana Alwan, advogada, em 18 de out. de 2026
Nesta página
  1. Dados principais
  2. O que o projeto faria
  3. Negócios assinados desde 8 de outubro de 2023
  4. Por que negociar no sul é difícil mesmo sem proibição
  5. Procurações e intermediários
  6. Como checar um lote no sul antes de assinar ou pagar
  7. Depende de
  8. Perguntas frequentes
  9. Fontes

Resposta curta

Legalmente sim, por ora: a proibição é um projeto, não uma lei. Em setembro de 2026, o Gabinete aprovou um texto que proíbe vendas em cidades do sul ocupadas por Israel até o fim da ocupação[1,2], e ele ainda precisa do Parlamento. Segundo relatos, ele também retroagiria: vendas e procurações assinadas desde 8 de outubro de 2023[1] não poderiam ser registradas sem aprovação de um comitê.

Também perguntam: “Comprar terreno no sul do Líbano” · “É legal comprar terreno no sul do Líbano agora?” · “Projeto de lei que proíbe venda de imóveis no sul do Líbano ocupado” · “Posso vender meu terreno no sul do Líbano?”

As fontes divergem sobre em que pé está o projeto. A LBCI (26 de setembro de 2026) disse que ele fora enviado ao Parlamento, enquanto a Arab News (30 de setembro de 2026), citando três deputados, disse que ele não chegara ao Parlamento nem a nenhuma comissão[1,2]. Esta página cobre o que foi publicado até 17 de outubro de 2026.

Dados principais

Situação
Projeto aprovado pelo Gabinete, não é lei; precisa da aprovação do Parlamento[1,2]
Onde se aplicaria
Cidades do sul do Líbano ocupadas por Israel; nenhuma fonte que lemos lista as cidades[1,2]
Por quanto tempo as vendas seriam proibidas
até o fim da ocupação[1,2]
Negócios atingidos retroativamente
Os assinados desde 8 de outubro de 2023[1], a menos que um comitê aprove
Exclusões relatadas
Contratos e procurações irrevogáveis assinados antes de 8 de outubro de 2023, edifícios já divididos em unidades, vendas de incorporadoras[1]
Quem decidiria
Um comitê presidido por um juiz, com recurso à Corte de Apelação cível do distrito[1]
Parecer jurídico oficial
A Comissão de Legislação e Consultas (هيئة التشريع والاستشارات) se recusou a endossar o texto[2]

O que o projeto faria

O ministro das Finanças, Yassine Jaber, propôs o projeto, e o Gabinete o aprovou em setembro de 2026. Ele proibiria donos de terrenos, edifícios, unidades ou cotas em cidades do sul do Líbano ocupadas por Israel de vendê-los até o fim da ocupação[1,2]. Jaber diz que o objetivo é preservar a identidade do sul, evitar vendas por desespero e impedir que terras passem a israelenses por meio de empresas de fachada. Ele também disse que o alvo são vendas a pessoas ou empresas fictícias que servem de fachada[3].

O projeto valeria também para compradores libaneses. O deputado Abdel Rahman al-Bizri disse em setembro de 2026 que ele proíbe vendas a compradores libaneses e não libaneses por igual[3]. Nenhuma fonte que lemos lista quais cidades contam como ocupadas. A Al Jazeera informou em 14 de outubro de 2026 que Israel ocupa uma faixa de até 10 km de profundidade, marcada pela "Linha Amarela", mas não nomeou as aldeias dentro dela[4].

O texto é contestado. A Arab News informou em 30 de setembro de 2026 que a Comissão de Legislação e Consultas se recusou a endossá-lo, dizendo que ele conflita com a proteção constitucional da propriedade privada e que a lei libanesa sempre protegeu contra a aquisição por estrangeiros, em vez de restringir vendas entre libaneses[2]. O texto final pode diferir do que foi relatado, e nenhuma data de entrada em vigor foi publicada.

Negócios assinados desde 8 de outubro de 2023

A LBCI divulgou os termos do projeto. Qualquer procuração de venda, promessa de compra e venda ou contrato de venda lavrado em cartório para imóvel nas cidades ocupadas, assinado entre 8 de outubro de 2023[1] e a publicação da lei, não poderia ser concluído nem registrado no registro de imóveis (السجل العقاري) sem a aprovação de um comitê especializado. O ministro da Justiça formaria esse comitê. Um juiz o presidiria, com outros dois juízes, um engenheiro civil, um avaliador imobiliário juramentado e dois assistentes judiciais. Suas decisões poderiam ser contestadas na Corte de Apelação cível do distrito do imóvel, e a decisão dela seria final.

Um contrato assinado não faz de você o dono. Enquanto a venda não for inscrita no registro de imóveis, o comprador tem apenas um direito pessoal contra o vendedor[5,6]. O escritório Kallas Law Firm recomenda inscrever a venda sem demora depois da escritura, porque até lá o imóvel continua no nome do vendedor e exposto a vendas posteriores, hipotecas e penhoras[5]. Veja mais sobre um contrato que nunca foi registrado.

Nenhuma fonte diz o que deve fazer quem assinou nesse período. Procure um advogado que conheça os cartórios de registro do sul e leve a ele o documento assinado, a data e o número do lote.

Por que negociar no sul é difícil mesmo sem proibição

A venda é registrada no escritório do registro de imóveis da área onde o imóvel fica[7,8]. No fim de abril de 2026, o ministro das Finanças disse que os escritórios de Bint Jbeil e Ain Ebel estavam inacessíveis, enquanto os de Nabatieh e Marjayoun mantinham trabalho mínimo com parte da equipe[9]. Não encontramos atualização publicada desde então. Antes de viajar, pergunte a um advogado no Líbano, ou à Direção-Geral de Registro de Imóveis e Cadastro (المديرية العامة للشؤون العقارية) do Ministério das Finanças, se o escritório da área do seu lote está aberto, emitindo certidões e registrando vendas.

A documentação costuma ser frágil. A Arab News informou em setembro de 2026 que muitas propriedades do sul estão em documentos antigos, e não em escrituras modernas definitivas. Onde a propriedade é contestada, os registros não emitem escritura definitiva, e algumas vendas são registradas só em cartórios, o que as torna oficiais, mas não definitivas[2]. Uma venda lavrada em cartório e nunca inscrita não faz de você o dono[5,6].

Talvez você nem consiga ver o terreno. Em outubro de 2026, o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido desaconselha qualquer viagem às províncias do Sul e de Nabatieh[10], e alerta que viajar contra a recomendação pode invalidar o seguro-viagem. Em março de 2026, segundo o chefe da associação das seguradoras, as seguradoras libanesas não ofereciam cobertura de guerra em áreas de alto risco[11,12]. Para o quadro geral, veja se é seguro comprar no sul agora.

Procurações e intermediários

A Arab News informou, em setembro de 2026, o temor de que terras do sul sejam vendidas por meio de procurações ou intermediários que agem para compradores não libaneses, os quais poderiam revendê-las depois a partes israelenses. Um ativista local também alertou para vendas com data retroativa e empresas de fachada[2]. São temores, não casos comprovados, mas são um bom motivo para olhar com atenção quem realmente está do outro lado do negócio.

Procurações falsas já foram usadas para tentar vender ou hipotecar imóveis no Líbano, inclusive o de um dono que mora no exterior[13,14,15]. Em agosto de 2026, as Forças de Segurança Interna (ISF) disseram que cartórios de Jounieh e da Bekaa haviam comunicado documentos suspeitos de falsificação, entre eles procurações, uma escritura e uma carteira de identidade[16]. Antes de confiar em uma procuração, leia como verificar se uma procuração é autêntica.

Se você é o vendedor e mora no exterior, a procuração deve indicar o imóvel por número e localização[17,18,19]. O escritório Kallas Law Firm diz que uma procuração geral não basta para vender: ela precisa conter um mandato especial expresso para vender[20].

Como checar um lote no sul antes de assinar ou pagar

  1. Obtenha os identificadores do lote. Peça ao vendedor a província, o distrito, a zona imobiliária, o número do imóvel e, quando houver, a seção e a quadra. Você precisa deles para pedir qualquer certidão[8,21]. Peça também uma cópia da escritura, mas não trate a cópia do vendedor como prova.
  2. Obtenha uma certidão oficial do registro de imóveis (إفادة عقارية). A Legalmondo, uma rede de escritórios de advocacia, disse em junho de 2025 que a certidão oficial só pode ser pedida pessoalmente no escritório do registro de imóveis da área do imóvel, e fixou a taxa em US$ 5[8]. A mesma fonte diz que as certidões são públicas, então qualquer pessoa pode pedir uma, mas nenhuma é emitida enquanto houver um ônus ou um registro em andamento sobre o lote. Isso significa que um advogado contratado por você no Líbano pode retirá-la em seu nome. Uma cópia da OMT não é oficial e serve só como referência[8,21,22,23]. Mais em como obter uma certidão do registro de imóveis.
  3. Leia a certidão linha por linha. Ela mostra a área do lote, os donos e suas cotas, hipotecas, penhoras, outros ônus e ações judiciais pendentes[8,23]. Se o lote ainda não passou por levantamento definitivo, a certidão pode não mostrar a área; pergunte a um advogado ou a um agrimensor juramentado o que isso significa para o seu lote. O escritório Kallas Law Firm diz que qualquer ônus que continue na certidão passa para você[5]. Se o dono registrado não for quem está vendendo a você, pare e pergunte a um advogado por quê.
  4. Localize o lote no terreno. Quando a planta cadastral e o terreno divergem, prevalece a planta[24,25]. Os agrimensores juramentados trabalham sob a supervisão do Cadastro[26]. Não encontramos taxa nem procedimento publicados para pedir uma planta, então pergunte ao escritório do registro de imóveis e a um agrimensor juramentado pela planta cadastral do número do seu lote. Veja como obter um mapa cadastral ou levantamento. Em julho de 2026, o Conselho do Sul disse que seus inspetores não conseguiam entrar em algumas áreas, em especial na "zona amarela"[27], então uma visita ao local ali pode ser impossível.
  5. Pergunte à prefeitura e ao mukhtar. A venda de terreno exige uma declaração de conteúdo da prefeitura do município onde o terreno fica, além de um mapa de localização[7,28]. Pergunte à prefeitura se a cidade é tratada como ocupada. Por precaução, a União de Municípios de Jabal Amel pediu que os mukhtars (المختار) levem ao conhecimento das prefeituras qualquer venda de imóvel[2].
  6. Peça a um advogado que verifique a situação mais recente do projeto. Faça três perguntas por escrito. O projeto agora abrange a cidade? O negócio foi assinado em 8 de outubro de 2023[1] ou depois? Alguma das exclusões relatadas se aplica?
  7. Assine e registre imediatamente. A venda é assinada em escritura notarial, ou perante o chefe assistente do registro de imóveis[29,30]. A propriedade só passa quando a venda é inscrita no registro de imóveis[5]. Entre pretensões concorrentes, a que for lançada primeiro no diário do registro tem prioridade[24].

Depende de

  • Se a cidade conta como ocupada. Segundo relatos, o projeto abrange apenas cidades ocupadas por Israel[1,2], e nenhuma fonte as lista. Pergunte à prefeitura e a um advogado.
  • Quando seu negócio foi assinado. Contratos e procurações irrevogáveis assinados antes de 8 de outubro de 2023 seriam excluídos[1]. Os assinados depois precisariam da aprovação do comitê.
  • O que está sendo vendido. Edifícios já divididos em unidades, edifícios em processo de divisão ou construção, e vendas de incorporadoras e construtoras seriam excluídos[1]. Terreno sem construção não está nessa lista relatada.
  • O título do vendedor. Uma escritura registrada dá muito mais segurança do que documentos antigos ou uma venda registrada só em cartório[2]. Peça a um advogado que leia o que o vendedor de fato tem.
  • Sua nacionalidade. O projeto valeria para compradores libaneses e não libaneses por igual[3]. Compradores estrangeiros também enfrentam um limite de 3.000 m²[6,31,32] no total sem licença: veja se estrangeiros podem comprar imóveis no Líbano.

Perguntas frequentes

A venda de terreno no sul do Líbano está proibida agora?

Nenhuma lei a proíbe em 17 de outubro de 2026. O Gabinete aprovou em setembro de 2026 um projeto que ainda precisa do Parlamento[1,2]. A LBCI disse que ele fora enviado ao Parlamento, enquanto a Arab News disse que ele ainda não chegara ao Parlamento nem a nenhuma comissão.

O projeto me impediria de vender a um parente libanês?

Segundo relatos, ele proibiria donos em cidades ocupadas de vender, e um deputado disse que vale para compradores libaneses e não libaneses por igual[3]. As exclusões relatadas abrangem contratos mais antigos, edifícios divididos ou novos e vendas de incorporadoras[1]. Nenhuma fonte que lemos diz se vendas ou doações entre parentes têm tratamento diferente, então pergunte a um advogado como o texto final trata o seu caso.

Assinei uma procuração para vender terreno no sul em 2024. O que acontece com ela?

Pelo projeto, como a LBCI o relatou, uma procuração de venda assinada desde 8 de outubro de 2023[1] não poderia ser usada para concluir nem registrar a venda sem a aprovação de um comitê especializado. O projeto ainda não é lei, então leve a procuração e o número do lote a um advogado.

O projeto abrange todo o sul do Líbano?

Não. Segundo relatos, ele abrange apenas cidades ocupadas por Israel[1,2], e nenhuma fonte que lemos as lista. Pergunte à prefeitura do local do lote se a cidade é tratada como ocupada.

Fontes

Conferido nestas fontes. Os números no texto apontam para cá.

  1. 1.
    A new law could reshape property sales in southern Lebanon's occupied towns

    LBCI (LBC Group) · 26 de set. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  2. 2.
    Who will protect occupied southern Lebanon from controversial land sales?

    Arab News · 30 de set. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  3. 3.
    Lebanon Moves to Protect Land Ownership in Occupied South

    Asharq Al-Awsat · 12 de set. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  4. 4.
    How Israel's 'Yellow Line' is reshaping southern Lebanon

    Al Jazeera · 14 de out. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  5. 5.
    How to Buy Property in Lebanon: The Legal Steps from Verification to Inscription

    Kallas Law Firm · 9 de jun. de 2026 · consultado em 16 de out. de 2026

  6. 6.
    Legislative and Administrative Land and Property Rights Framework. Lebanon

    GLTN / UN-Habitat · maio de 2024 · consultado em 16 de out. de 2026

  7. 7.
    Inheritance in Lebanon: Probate, Estate Declaration and Inheritance Tax (2026)

    Kallas Law Firm · 27 de jun. de 2022 · consultado em 17 de out. de 2026

  8. 8.
    How to Find Real Estate and Land Register Information in Lebanon

    Legalmondo · 17 de jun. de 2025 · consultado em 17 de out. de 2026

  9. 9.
    Southerners carry their property documents: what if documents are lost or burned in the war?

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    Lebanon travel advice (UK FCDO foreign travel advice)

    UK Foreign, Commonwealth & Development Office (GOV.UK) · 10 de ago. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  11. 11.
    When war voids protection: Lebanon's insurance crisis unfolds

    An-Nahar (Annahar English) · 29 de mar. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  12. 12.
    In wartime, Lebanese outside the insurance umbrella: falling coverage and crazy price rises

    Annahar · 28 de mar. de 2026 · consultado em 17 de out. de 2026

  13. 13.
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    Photograph of a suspect arrested for fraud and forgery circulated: Have you been a victim of his crimes?

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  15. 15.
    Sanitized Cases – 2023 Forgery Report (STR)

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  16. 16.
    The Baabda Judicial Detachment arrests a dangerous wanted man who forged property deeds and documents and defrauded his victims of sums of money

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    Consulate General of Lebanon, Detroit · sem data · consultado em 17 de out. de 2026

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    The Land Registry in Lebanese Law — Part Six of the Practical Guide to the Code of Real Property

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    Hezbollah Cash Crunch Stalls Lebanon War Compensation

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    Real estate sale in Lebanon: ordinary sale contract, irrevocable power of attorney and registration in the land registry

    Kallas Law Firm (klfi.net) · 12 de abr. de 2025 · consultado em 17 de out. de 2026

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    Legal Framework for Ownership of Land in Lebanon

    IDAL (Investment Development Authority of Lebanon) · março de 2018 · consultado em 16 de out. de 2026

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    Limitations and Restrictions for foreign investors

    IDAL (Investment Development Authority of Lebanon) · sem data · consultado em 16 de out. de 2026